quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A extraordinária experiência da colombiana Glória Polo - pelo padre exorcista Gabriele Amorth






Comprei recentemente o livro : “O último exorcista” do padre Gabriele Amorth, exorcista oficial do Vaticano.  O padre deixa claro, que o título não representa que ele é o último exorcista, mas sim, que há poucos no mundo. 
O livro traz casos de diversas e diferenciadas possessões. E chama atenção para a realidade do mundo sobrenatural, ao mesmo tempo em que denuncia a ação devastadora das forças do mal que combatem sem trégua os filhos de Deus de maneiras cada vez mais astutas.
Dentre os vários casos narrados no livro, um chama atenção pela singularidade. É a história extraordinária de Glória Polo, que poucos conhecem, mas que apresentaremos aqui no blog por considerarmos um alerta a todas as almas.
Tudo acontece no dia 5 de maio de 1995, perto da Universidade Nacional de Bogotá, na Colômbia. São 16h30. Glória é uma odontologista recém- formada; e, junto com seu primo de 23 anos, cursa uma especialização. Os dois caminham à faculdade, onde Glória deve pegar alguns livros. Chove. Eles se protegem sob um guarda-chuva. Em certo momento, cai um raio do céu, passa através do guarda-chuva e queima os dois. Carboniza ambos, literalmente. O primo morre na hora...
Glória tem de imediato, um ataque cardíaco. Cai estendida no chão; o corpo sem vida salta devido à eletricidade. Nesse momento, Glória morre para o mundo. Mas, sua alma está viva em outra parte... Onde?
A alma de Glória encontra-se num túnel largo e branco. Está feliz. E em paz. No fundo do túnel há uma luz que a atrai. É mais que uma luz. É uma fonte de paz e serenidade, de imenso amor.
Glória sabe que está morta. E, ao mesmo tempo, começa a sentir arrependimento. Todos os dias eram dedicados a si mesma, aos seus trabalhos, às suas coisas. Não tinha tempo nem para os filhos, nem para o marido. Vê, juntas, num só instante, todas as pessoas que conhece. Vê como elas são verdadeiramente. Por dentro, na alma. E compreende quão preciosa é a alma e quão pouco é o corpo.
Glória sobe até a luz. No fundo do túnel percebe um lago maravilhoso. Todas as descrições que depois fará desse lago não conseguirão, ela dirá, apresentar a beleza do lugar. Nesse momento, vê que seu primo entra nesse lugar. Entra no Paraíso. Mas, de repente, Glória sente dentro de si, algo terrível. Sente que não deve, não pode entrar onde seu primo acaba de entrar.
Glória, misteriosamente, volta a descer até seu corpo, desfalecido, sobre uma maca. Vê que os médicos procuram reanimá-la... Glória sofre, pois quer voltar atrás. Os médicos levam-na para a sala de cirurgia... Ainda que, pouco depois, sua alma passe por uma provação terrível. A alma, por um misterioso motivo, volta a sair do corpo. Uma vez mais, Glória pode observar o que acontece a seu corpo, de fora. Sente-se feliz.
De repente, algo estranho acontece. Ao redor de seu corpo agrupam-se certas figuras. São figuras terríveis. São demônios. Muitas pessoas, aparentemente comuns, olham para ela com um ódio que nenhum homem consegue descrever. Glória compreende que deve alguma coisa a cada um desses demônios. Deve o preço de seus pecados. Percebe que os pecados cometidos quando estava no mundo não deixam de ter consequências. Que são feridas que sangram e sobre as quais tem de responder. São atos dos quais o reino do mal se aproveita e que ferem o reino do bem.
Glória está assustada. Quer voltar ao seu corpo, mas não pode. Sua alma é acossada pelos demônios que a rodeiam.
Assim, Glória foge. Sua alma atravessa as paredes da sala de cirurgia e, contra a sua vontade, cai. Cai dentro de uma série infinita de tuneis escuros que a levam para baixo, para baixo, sempre para baixo. Glória vaga pela escuridão, até que chega a um lugar de escuridão indescritível. A escuridão provoca pranto, dores, gemidos. A escuridão cheira mal, exala um odor nauseabundo. Ela sente a escuridão ao seu redor e compreende que a escuridão ao seu redor está viva. Enquanto sente essa presença opressiva ao seu redor, cai até um espaço plano. Glória compreende que esse é o fundo. O lugar onde sua alma deve morrer espiritualmente. Glória esta perdida.
 Gloria está no inferno.
A seguir, ocorre algo inesperado. Exatamente quando Glória está a ponto de se abandonar nesse lugar que a envolve inteira, chega São Miguel Arcanjo, aquele que defende a fé de Deus contra as hordas de Satanás. Aquele que derrota Satanás. São Miguel conduz Glória para fora dali. Enquanto os demônios, todos os demônios, agarram suas mãos e tentam retê-la.  Os demônios rodeiam-na, agarram-na. São Miguel a leva. E Glória grita, grita, e volta a gritar.
Glória não sabe como explicar, mas de repente seu grito é este: “Almas do Purgatório, por favor, tirem-me daqui! Eu lhes suplico, tirem-me daqui”!
Glória sente, ao seu redor o pranto daqueles que estão no purgatório. Um pranto que rasga de compaixão seu coração. Um pranto que Glória jamais esquecerá.
Glória compreende que agora se encontra no limite entre o inferno e o purgatório. O paraíso está acima, lá no alto, muito longe. Ela se encontra no ponto mais baixo do purgatório, onde se encontram as almas dos que se suicidaram num momento de desespero, de loucura. Essas almas se encontram  perto do inferno. Os demônios estão ali, ferozes, a um passo. Glória olha essas almas e compreende que devem permanecer ali pelo menos até que transcorram todos os anos que ainda deveriam viver na terra. Essas almas sofrem de maneira indizível e vivem tremendos sentimentos de culpa em relação àqueles que deixaram no mundo. O que pode ajudá-las? Só a oração dos vivos.
Glória está desesperada. São Miguel a ajudou até ali. Mas ali ela ficou. A um passo do inferno, sem saber o que será dela. De maneira que continua a grita e pedir ajuda. E algo acontece.
Em meio àquelas trevas, vê uma pequeníssima luz. Naquelas trevas, a luzinha é um dom maravilhoso. Glória olha para luz. E vê seus pais. Os dois olham para Glória. Choram, mas não podem fazer nada para tirá-la dali. Por que se encontram ali?  Principalmente por uma falta, dirá Glória depois, pelo fato de não terem feito o suficiente para educar Glória no amor de Deus.
Glória grita e volta a gritar: “Tirem-me daqui! Eu sou católica!”
A súplica de Glória não cai no vazio. Algo acontece. Uma voz rasga a escuridão. Uma voz suave, límpida.
Essa voz é a voz da Virgem Santíssima... A Virgem vira-se para Glória e diz: “ Se tu és católica, diz-me quais são os mandamentos da lei de Deus”.
Glória sabe que são dez. Mas lembra-se apenas do primeiro. Diz: “O primeiro mandamento é: " Ama a Deus acima de tudo e ao próximo como a ti mesmo”.
“Muito bem. E tu o cumpriste? Amaste?”
“Eu... sim. Sim, eu sim!”
“Não”, diz Nossa Senhora.
Glória sente-se sem máscara, diante de Nossa Senhora.
“Não. Tu não amaste o Teu Senhor sobre todas as coisas; e muito menos amaste o teu próximo como a ti mesma! Tu fizeste para ti mesma um Deus ao qual modelaste de acordo com tua vontade, com a tua vida. Só em momentos de extrema necessidade ou de sofrimento te lembravas do Senhor. Então te ajoelhavas, choravas, pedias, fazias novenas, prometias ir à missa, aos grupos de oração, pedindo uma graça ou um milagre. Quando eras pobre, quando tua família era humilde, quando ainda desejavas ser uma profissional, então sim, todos os dias tu rezavas de joelhos, horas inteiras, suplicando ao Senhor! Oravas pedindo-me que te arrancasse daquela pobreza, que te permitisse tornar-te uma profissional e ser alguém! Quando te encontravas na necessidade e precisavas de dinheiro, aí sim prometias: “ Rezo o rosário, mas Tu, Senhor, concede-me um pouco de dinheiro!”
A voz segue falando e mostra a Glória todas as suas faltas. Todas as suas promessas não cumpridas, seu coração completamente submergido em preocupações sem nenhum valor. Glória vê todo mal de sua vida. Tudo, por inteiro. Vê quanto descuidou dos dez mandamentos, de todos. Um depois do outro. E sente em seu interior uma vergonha muito grande. Seus pecados, alguns tremendos, estão diante dela, sem qualquer misericórdia.
A voz abre diante de Glória o livro de sua vida. E Glória fica aterrorizada. E pensa: “Não tenho esperança alguma”...
Mas algo vai acontecer. Glória olha para cima. E é nesse momento que grandes crostas saem com muita dor de seus olhos. São as crostas de sua cegueira espiritual. Pela primeira vez Glória consegue ver o que nunca vira antes. E sobretudo dizer: “Senhor! Jesus Cristo, tem misericórdia de mim! Perdoa-me, Senhor! Perdoa-me! Concede-me uma segunda oportunidade!”
Jesus se inclina para Glória e arranca-a do fosso em que havia caído. Tira-a dali, literalmente. E lhe diz: “Sim, tu retornarás e terás uma segunda oportunidade. Não por causa da oração de tua família, pois é normal que chorem e gritem por ti, mas pela intercessão de todas as pessoas, estranhas à tua carne e ao teu sangue, que choraram, rezaram e elevaram o próprio coração com tanto amor por ti”.
Glória não sabe a que Jesus se refere. Mas pode ver. Vê milhares de chamas de luz. Belíssimas. São todas as pessoas que rezam por quem não conhecem. São todas as pessoas que rezam pelos outros. Entre todas aquelas pequenas chamas, há uma maior que as outras. É uma pessoa que ama Glória mais que todas as outras. Jesus lhe diz: “Aquele homem que Vês ali, é uma pessoa que te ama muito, sem sequer te conhecer”.
Quem é? É um pobre camponês que vive na Serra Nevada de Santa Marta. É pobre. Não tem o que comer. Um dia leu num jornal a notícia do acidente de Glória. E viu a foto em que ela aparece queimada. Este homem leu e começou a chorar. Ajoelhou-se no chão e rezou: “Pai, meu Senhor, tem compaixão desta minha irmã, salva-a, salva-a, Senhor! Senhor, se tu a salvares, se salvares a mina irmã, te prometo, irei ao Santuário de Buga”.
Jesus diz a Glória: “Esta é o verdadeiro amor pelo próximo. Tu deves amar assim”. Depois disse: “Tu retornarás, para que dês testemunho, que repetirás não mil vezes, mas milhares de vezes. Ai daquele que, ao escutar, não mude, pois será julgado com maior severidade. E isso vale também para ti, para os consagrados que são meus sacerdotes e para qualquer outro que não me escute: porque não há pior cego do que aquele que não quer ver”.
E assim Glória escapa do inferno e de Satanás. Escapa e por misericórdia de Deus regressa a seu corpo e, por meio dele, ao mundo.
De repente, a sala cirúrgica é invadida por uma notícia surpreendente: o corpo de Glória recuperou a integridade. Glória voltou a ser o que era. Seu corpo está cheio de cicatrizes, mas seus órgãos funcionam perfeitamente.
Glória retornou. É a sua segunda chance.
Glória fala de Deus. E fala do Seu inimigo.
Por que falo de Glória Polo? Porque é necessário saber que Satanás existe e existe o inferno. Glória é um testemunho a mais. E a maior parte das pessoas que estão no inferno, eram aquelas que não acreditavam nele.
Dinheiro, antes de tudo, depois poder e sexo. São estas as ilusões do demônio. Com estas tentações, leva-nos para ele. E quanto mais cedemos, mais difícil será abandoná-lo.
Satanás sempre tentou o mundo dessa maneira. Sempre atacou o mundo assim. Mas hoje está acontecendo algo diferente. Seu ataque, como testemunhou o Papa Leão XIII, é mais poderoso, mais feroz. Estamos no ataque definitivo. O último ataque. Seus efeitos podem ser vistos no mundo...
Certo dia estava fazendo um exorcismo. Já havia exorcizado essa pessoa muitas vezes. E já sabia quem a possuía. Não era um demônio qualquer. Era Satanás. Uma possessão profunda, difícil, quase impossível de eliminar.
Pergunto a Satanás: “Por que não vais para o inferno?”
Sua voz era lúgubre e rancorosa, mas também infinitamente triste.
“Padre, diz-me para onde eu deveria ir?”
“Por que não vai até Deus? Por que não bates à Sua porta? Por que não te arrependes e volta sobre os teus próprios passos?”
Seguiu-se um longo silêncio.
Depois ele falou: “Eu não voltarei nunca atrás. Minha opção é definitiva. Irrevogável. Meu repúdio é para sempre”.
“Mas não voltaste alguma vez às portas do paraíso?”
“Eu não volto jamais. Permaneço sempre aqui. Eu sou o inferno. E Deus, meu inimigo pela eternidade”.
...Satanás não atua sempre com a mesma força. Estou convencido, por exemplo, de que a noite sua ação se faz mais forte do que durante o dia... Uma confissão é mais poderosa que um exorcismo. Satanás teme mais a confissão do que o exorcismo. Porque a confissão faz com que o homem regresse à graça de Deus; e contra um homem que se encontra na graça de Deus, Satanás nada pode fazer. Por esse motivo, precisamos estar sempre alertas e ter muita humildade.
O Papa Francisco estabeleceu o ano de 2016 como ano da Misericórdia. A Misericórdia de Deus pode tudo. Nunca é tarde para voltar-nos a Deus.

Dica de fé: Rezemos por todos os irmãos desconhecidos no mundo inteiro. Com todo amor.

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